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Archive for março \28\UTC 2011

Nós

os que vivem de poesia

somos os que lavam

talheres e pratos

do banquete

das Erínias

 

 

Nosso tempo

— piercing nas amígdalas —

guarda crematórios em urnas

e escrevemos apenas

acredite

o que não pôde ser calado

 

 

A tua leitura

não duvide

será sempre um ânimo

assoprado

sobre o nosso cadáver

 

 

Saudemos

nossa voz nos teus olhos

sinestesia tilintante

que late

 

 

Amém

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ANDRAEMENAGOGO

ANDRAEMENAGOGO

(ou quando os sentidos testam-se uns aos outros)


Porque é de ausência e espera

a intenção de cada sílaba

e a língua solta

revoadas de coisas invisíveis

mais leves que um peso de misericórdia

nas mãos

 

Nos quebramos meus sentidos e eu

 

Engolir um fim de tarde

— um viscoso risco de fogo —

faz tatuar uma cicatriz que não se alcança

e como viandantes

os minutos te olham

 

Telhados com chuva

seguem com aplausos ao longe

e um nome repetido até a demência

 

O que eu digo tem soluço

minha voz não se acostuma

a ter um espelho na garganta


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