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Archive for maio \29\UTC 2008

Não é lenda e ninguém me contou. Numa gramática de Alemão, pertencente à Coleção Didática da biblioteca da FFLCH, eu procurava, na parte de “complemento adverbial”, informações sobre a palavra ‘jahrhundert’ (século), e eis que me deparo com a pichação de alguma mão perturbada que resolveu escrever: “As drojas e os drojados impedem avanços da Línjua Portujêsa”, e logo em seguida, em Alemão:  “Es darf kein Wort ge sagt werden” (Não se pode dizer uma palavra). Por não ter assinatura, nem data, até agora fico me perguntando: em que ano essa criatura deve ter se matado?

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MASOQUISMO PECULIAR

A súcia tem seu lugar no mundo

e, confesso, tenho certo prazer em freqüentá-la;

não custa nada (a cada três meses, por exemplo) provar da sua nojeira

pra constatar como é forte a doença

que vai desintegrando aquilo que um dia

já apresentou a humana forma.

São o que há de pior

e entre os dejetos

são os mais execráveis: mentirosos, covardes,

machistas, homofóbicos, burros, mesquinhos,

decrépitos e auto-flatulentos;

Nascidos todos de um mal-do-coito-mental

seus olhos são opacos, e só repetem fórmulas

incríveis de uma subsistência miserável;

A menor idéia não têm daquilo que lhes veste

e é notável como subvertem os sentidos:

você olha e vê o fedor.

A deserção é o estímulo que eles têm,

e sua vida de matilha é tanto mais indigna

por não serem cães.

O que faço no meio disso?

Eu me me divirto, naturalmente!

Sim, há muita diversão no semblante sem graça

da caterva

que eu alcanço as gargalhadas

com a infelicidade

das histórias que eles não têm!

Eu recomendo

a todo aquele que rasgou

a selva selvaggia ed aspra e forte

que ao invés de um passeio ao zoológico

(muito deprimente, por sinal)

que escolha (pode até ser por internet)

um grupo, assim de récua,

e sirva-se dele como um terapeuta às avessas,

e entre um mau cheiro e outro

você, cristianamente,

tolera o brilho da sola do seu sapato

quando pisa os vermes

ao sair.

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Espremido no tempo

um reservatório de faíscas

vai e vem

controla o fôlego

e toma impulso

Atividade marítima

tem o desejo

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Pra que fosse inaudita

a farfalha do meu desespero

teria que reconhecer que é nova

a voz que envelheceu

cantando a mesma ladainha

dos meus exorcismos.

Mas é a mesma voz

e já não se importa

com o ridículo que cambaleia

o corpo que ela faz som.

À essa altura

as tuas rejeições, meu filho,

são os adereços mais vagabundos

de uma piada que só você não ri.

Ou você aprende o cinismo

ou bota esse mau hálito em outra direção.

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Rapinagem

Mirando o ovo da avestruz

a primeira inclinação dos vermes

é a rapinagem:

disposição nobre quando se tem fome

e não deixa de ser linda

essa obediência ao instinto.

Alguém

(e só você saberá me dizer quem é)

pratica a infame rapinagem

desnecessária para um verme saciado

que arrotar já não consegue

e seus gases são aqueles conhecidos

comentários

da vida alheia.

E cada vez mais pegajosa

engorda tanto a sua verme forma

que já não nota

os corvos às costas

cumprindo a árdua tarefa

que apenas os de estômago forte

podem realizar.

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