Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘espécie’ Category

“Entonces entraron al cuarto de José Arcadio Buendía, lo sacudieron con todas sus fuerzas, le gritaron al oído, le pusieron un espejo frente a las fosas nasales, pero no pudieron despertarlo. Poco después, cuando el carpintero le tomaba las medidas para el ataúd, vieron a través de la ventana que estaba cayendo una llovizna de minúsculas flores amarillas. Cayeron toda la noche sobre el pueblo en una tormenta silenciosa, y cubrieron los techos y atascaron las puertas, y sofocaron a los animales que durmieron a la intemperie. Tantas flores cayeron del cielo, que las calles amanecieron tapizadas de una colcha compacta, y tuvieron que despejarlas con palas y rastrillos para que pudiera pasar el entierro.”

Cien Años de Soledad

G.G.Márquez

Read Full Post »

“Ao certo, ninguém sabe se há de manter ou não um juramento. Cousas futuras! Portanto, a nossa constituição política, transferindo à afirmação simples, é profundamente moral. Acabou com um pecado terrível. Faltar ao compromisso é sempre infidelidade, mas a alguém que tenha mais temor a Deus que aos homens não lhe importará mentir, uma vez ou outra, desde que não mete a alma no purgatório. Não confundam purgatório com inferno, que é o eterno naufrágio. Purgatório é uma casa de penhores que empresta sobre todas as virtudes a juro alto e prazo curto. Mas os prazos renovam-se, até que um dia uma ou duas virtudes medianas pagam todos os pecados grandes e pequenos.”

Dom Casmurro, cap. CXIV

Read Full Post »

Lembrança

Prezada soprano,

não belisque

nem puxe os cabelos

das mezzo-sopranos.

Os tenores não estão nem aí!

Não vês como se dão bem

e até trocam ternuras

os baixos e barítonos?

Read Full Post »

INTERRUPÇÃO

A obra dos Deuses, nós a interrompemos – entes

somos da pressa e do momento, inexperientes.

No palácio de Elêusis e no de Ftia, eis

que iniciam Deméter e Tétis, em chamas

altas e fumo espesso envoltas, grandes obras. Mas

sempre foge Metanira aos aposentos do rei,

cabelos soltos, temerosa. Também

Peleu se atemoriza sempre e intervém.

(Kaváfis)

trad. de José Paulo Paes

Read Full Post »

Mayumi era o nome, imagino que ainda o seja, da vizinha que eu tinha, em 1985, na Aclimação. Não sei o que é do seu destino, e nem ela deverá saber do meu, posto que nenhum não tenho. Eu devia ter o quê, uns dez, doze anos? É possível. Ela tinha um sorriso daqueles lindos, e cabelos escorridos e bem pretos de índia. Tinha um pequinês maldito que me mordeu três vezes, e era mais feio que o capeta do escadão esburacado do beco (tinha um beco com um escadão no fim que ligava a rua Raimundo de Brito e a av. Aclimação, e era um lugar usado pra despachos, queimação de fumo, paredão alternativo para ‘cositas’, e claro, batida policial quando o tédio batia na ‘força pública’). A história é longa assim como todas as histórias das lembranças lusco-fusco como a minha. Agora só me interessa a visita de Mayumi, a visita da sua lembrança: os ecos de Mayumi. E a última imagem que tenho dela são de gritos e choro humilhado, os mesmos que vi, sem entender e paralisado, pela fresta da janela da sua casa, enquanto apanhava de tamanco da própria mãe, e sua irmã a segurava. Mayumi era bem mais velha do que eu, e já contava seus dezoito ou vinte anos. O que fez Mayumi despertar a ira em sua casa deve ter sido obra do desejo, realizado ou frustrado, que redemunha qualquer vida a qualquer tempo. Saber as razões da surra de Mayumi, passados mais de vinte anos, já não me toca. Mas me inquieta o porquê dessa lembrança ter batido à porta, a minha, e ter grafitado o nome de Mayumi.

Read Full Post »

A ti

mais nenhuma palavra

é seco o ventre do meu discurso

A ti

que não perdoa as falhas

e entre nós desenhou o escuro

A ti

vício em pele de virtude

centro da minha cegueira

é morto o mar

Aproveita

delicado espinho

tua sozinha beleza:

quando murcha a flor

tu perdes a razão de ser

tua única razão de ser.

Read Full Post »

De rezongos en el espejo atravesado

habitan trenzadas confesiones

mientras las sombras de un abrazo

persiguen

simples y evocadas mudas manos:

palabra anterior al verbo

fiesta de remolinos

existencia por el gesto

En rezongos en el espejo atravesado

mi sien olvida la enfermedad

porque arrancar raíces no es cosa rara

y saben herir por vocación

los dedos-anzuelos con sus uñas

a causa de instintos acumulados

y sus ecos de ruinas

para llegar a tu boca

como el lenguaje

tu lengua de atrapamoscas

se afila en la humedad

y orgullosa exhibe sus anillos

en ese pasto para la vida

(singular cadena)

de lombrices, víboras

tal su boscaje

útero de mejillas

Con pasamanos de cuchillos ciegos

y multifacetados

hincados granos de arena

inauguran la visión

y una cáustica gira alcanza la noche

sobre tu silueta

con ironía condimentada

para el serenoctívago

desanclar las eviternas tramas

de sus versos

Read Full Post »

Older Posts »