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Posts Tagged ‘Cigarro’

“Si va a Argel, recomiendo al viajero con sensibilidad que beba anís bajo las bóvedas del puerto; que por la mañana coma en la Pêcherie pescado recién traído, asado en tornillos de carbón; que vaya a escuchar música árabe en un cafetín de la rue de la Lyre cuyo nombre he olvidado; a las seis de la tarde que se siente en el suelo al pie de la estatua del duque de Orleans que hay en la place du Gouvernement (no porque el duque, sino porque pasa mucha gente y se está bien allí); que vaya a comer al restaurante Padovani, que es una especie de dancing sobre pilotes, junto al mar, donde la vida resulta siempre fácil; que visite los cementerios árabes, en primer lugar para encontrar en ellos la paz y la belleza y, a continuación, para apreciar en su justo valor las espantosas ciudades a las que enviamos a nuestros muertos; que se fume un cigarrillo en la rue des Bouchers, en la Kasbah, entre ratas, hígados, mesenterios y pulmones ensangrentados que gotean por todas partes (el cigarrillo es necesario, porque esa Edad Media tiene un olor fuerte).”

Albert Camus

Pequeña guía para ciudades sin pasado; 1947

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Há um dia na noite estranha

e uma madrugada fria que me faz sair de casa pra comprar cigarros

como mera súplica da inconsciência e do acaso

percorrendo ruas vazias e de gelo

e sombras que espreitam por toda parte

Quando a reviravolta está por chegar

há um pesadelo de rosto amável

e a lembrança enquanto boto o troco na carteira

e piso devagar

o caminho oposto

É desperdiçado

e não passou pela vida

aquele que não se entreteve

com o jardim noturno, anfigúrico

mas único

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Não é o acaso, praga e nem maldição esse esquecimento instantâneo das muitas idéias que povoam a cabeça ritimada no asfalto paulistano; essa verborragia passada de língua em língua e todos os sussurros da nossa cinza coloração; também não são mãos o que dispara o frenesi da nossa atenta desatenção; o riso, talvez, porque há muito eco na escaramuça do seu desespero; mas também não é o riso, e também não são os milhares de fios dos postes e dos cabelos, nem as entranhas da fome, nem o fermento que ruboriza o ébrio, nem a transparência amarela da cerveja. Por alguns instantes, a fumaça do cigarro até confunde porque nos tornamos sombras na nossa despedida, e há sempre um vulto seqüestrado de um semblante que só tornará a cruzar com o nosso através das costas da retina. Há uma rua, ou melhor (e pra rimar), uma avenida onde achados e perdidos cumprimentam-se indiferentes à nossa sensação, não de abandono, mas de quebra-cabeça onde uma matemática impossível subtrai a soma dos dias que ganhamos e dos dias perdidos. No fundo, esse não ter nome é até desimportante se comparado ao nosso ritual de trazer a única consciência que temos na sola dos pés.

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