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Archive for the ‘Poemas’ Category

INTERLÚDIO DO SER AUSENTE

 

Esses meses

você conta como segundos

que ao longo de possíveis anos

e meses de calendários

eles se transformarão em dias

ou somente em horas

de uma noite difícil

 

Não conjugues verbos

apelativos ou difíceis

Eu me mato, tu me matas, ele me mata

Não

Vai catar coquinho

Traição e abandono

é um jogo que já conheces

e se é pra julgar alguém

comece pelo espelho

 

Há saudades implodidas no mundo

e o grande milagre de esconder chagas

quando se ri

 

o Amado e Protímenos

você ama e protimeniza

Amar

presta atenção, Ivan,

é a única forma de ter

 

ausência e distância pras cucuias

vai catar coquinho

e dança esse tempo

como dançariam os lagartos

que ele imitou

 

 

 

i.m.fornerón

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Wisława Szymborska: “Elogio dos sonhos” / trad.: Regina Przybycien

Elogio dos sonhos

Nos sonhos
eu pinto como Vermeer van Delft.

Falo grego fluente
e não só com os vivos.

Dirijo uni carro
que me obedece.

Tenho talento,
escrevo grandes poemas.

Escuto vozes
não menos que os mais veneráveis santos.

Vocês se espantariam
com minha performance ao piano.

Flutuo no ar como se deve
isto é, sozinha.

Ao cair do telhado
desço de manso na relva.

Respiro sem problema
debaixo d’água.

Não reclamo:
consegui descobrir a Atlântida.

Fico feliz de sempre poder acordar
pouco antes de morrer.

Assim que começa a guerra
me viro do melhor lado.

Sou, mas não tenho que ser
filha da minha época.

Faz alguns anos
vi dois sóis.

E anteontem um pinguim.
Com toda a clareza.

SZYMBORSKA, Wisława. Poemas. Trad. de Regina Przybycien

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OS DESCABEÇADOS

OS DESCABEÇADOS

 

O  que acontece com a cabeça dos decapitados

além do espetáculo de uma hemoptise singular?

Talvez encontrássemos a vida

se ao invés de sonharmos em ser homens

sonhássemos apenas

em ser hidra

Quem sabe

numa dessas cabeças que nos tiram

outras brotassem

pra renovar o sonho

que nos deu não a luta

mas a vontade de lutar

Uma só cabeça

não dá tempo nem defesa

São ágeis a lâmina e o aço

do fracasso que nos degola

e um amor que fecha a porta

faz o homem sem cabeça

perecer como rato

De um lado o corpo exangue

de um coração sem mundo

do outro

uma cabeça inútil e sem razão

De ambos goteja o sangue adubo

numa terra

onde o homem que sonha em ser homem

será sempre um muro

Com a hidra venceríamos

Com a hidra haveria possibilidade

Sem a hidra

como riem de nós

as ostras, os mosquitos

as pulgas, os vermes

a insanidade!

O infame lambuza-se

no mel das vespas

e urina sobre os homens decapitados

esses seres sem tempo e sem defesa

a tudo que os espreita

manso

maquinando

lado a lado

I.M.Fornerón

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CARTA AL HIJO

 

Sería difícil escribir esta carta sin evitar las justificaciones

digresiones de caída y vela hinchada hacia el poniente

en el fósforo del Báltico un amanecer de lluvia y lágrimas

con el rostro frente a las paredes blancas de un hospital invernadero

¿Será difícil inventariar las lunas los cruces de esquina

los caballos estivales galopando a ambos lados del transiberiano

las noches de vodka alrededor de la ausencia sin tus pasos?

Será duro el batallar de los acontecimientos

las visas los pasaportes los aeropuertos los desencuentros

las callosidades del alma la inutilidad de los abrazos

Será difícil anotar que he desvivido bebido huido

hacia los agujeros del tiempo en la marcha de las palabras

Más difícil aún revisar imágenes de un país imaginario

las bombas que caen en el Chorrillo sobre San Miguelito la luna

el desfile de gorilas amarillos desatando el istmo con su fuego homicida

sus fauces hediondas alimañas de carnicería

y vos bajo la telaraña de la cama en la habitación del miedo

asustado y sorprendido sin comprender porqué el imperialismo

los capitales la banda neoliberal los lameculos tropicales

la horda de paisanos como perfectos chacales

el paréntesis de este centro planetario atiborrado de compañías

comerciantes del reino usureros serruchadores de tus sueños

mis sueños de una sola patria matria nuestros sueños

los de tu madre con los muñecones del teatrillo callejero

por las selvas del Darién o en el Archipiélago donde las embarcaciones

llevan traen los cuentos de los fundadores elementales

los soles de la palma el brillo soberbio de las pieles

trasiegan el pasado contra el futuro en un eterno presente

Es difícil ocultarse hijo muy difícil

escribir todo esto sin que me tiemblen las manos

y un rumor de cadenas crepitaciones inexpresables

naveguen por dentro como una estampida de bisontes guerrilleros

y la mirada se nos pueble de nubes en el olvido de nuestros nombres

Harto difícil esta tarea de acercarte a mi otro yo

el de los ojos del antifaz con la suerte del andariego

en un tranvía negro que siempre retorna y retorna

con las hilachas nocturnas de los murciélagos

siemprevivo siempreamargo cautiverio de las páginas que se humedecen

como las lapidas con el rocío de los cementerios

o las bestias que huyen perseguidas por el amazónico incendio

Me es muy difícil decirte hijo decírtelo sin faltarle al recuerdo

que yo también me caigo me lluevo me abro me cierro

me ablando me tiemblo me tenso con los látigos los templos

del primer indicio la mediada caricia el último vuelo

para decirte así sencillamente hijo sin literatura

así al puro aire que todos somos viajantes y que por eso

y a pesar de todo lo que transcurre bajo el poema

a pesar de todo lo que muero te escribo y te quiero

 

 

Adriano Corrales Arias

 

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Nós

os que vivem de poesia

somos os que lavam

talheres e pratos

do banquete

das Erínias

 

 

Nosso tempo

— piercing nas amígdalas —

guarda crematórios em urnas

e escrevemos apenas

acredite

o que não pôde ser calado

 

 

A tua leitura

não duvide

será sempre um ânimo

assoprado

sobre o nosso cadáver

 

 

Saudemos

nossa voz nos teus olhos

sinestesia tilintante

que late

 

 

Amém

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ANDRAEMENAGOGO

ANDRAEMENAGOGO

(ou quando os sentidos testam-se uns aos outros)


Porque é de ausência e espera

a intenção de cada sílaba

e a língua solta

revoadas de coisas invisíveis

mais leves que um peso de misericórdia

nas mãos

 

Nos quebramos meus sentidos e eu

 

Engolir um fim de tarde

— um viscoso risco de fogo —

faz tatuar uma cicatriz que não se alcança

e como viandantes

os minutos te olham

 

Telhados com chuva

seguem com aplausos ao longe

e um nome repetido até a demência

 

O que eu digo tem soluço

minha voz não se acostuma

a ter um espelho na garganta


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Os túneis

Os túneis decidiram

voltar

A consciência se desfez dos cadarços

e as mãos cantaram as pontas dos pés

até desaguar nas orejitas

risos de caudalosa verdade

Os túneis ganharam escavação

e companhia

Nada poderá te ferir,  sequer atingir

enquanto a proteção dos túneis

te alcançar

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