Arte Poética para a era das Mortalhas
(Ivan Martucci Fornerón, 2005)
I. Só há tempo para morrer.
II. A arte legítima, entendida como melodia da idéia, recusa com ferocidade qualquer tentativa rasteira.
III. O fazer mimético é o câncer redentor do homem.
IV. O abismo é a melhor paisagem para um artista.
V. Uma obra de arte só pode ser produzida à beira do suicídio.
VI. O artista, digno de levar esse nome, vive sempre por um triz.
VII. A contradição é a razão do saber.
VIII. O imbecil sabe tudo...o que não precisa saber.
IX. O sábio refestela-se, goza e delicia-se.
X. Há o riso.
XI. Quem ri por último, ignora.
XII. Quem ri a todo instante é um flagelo público.
XIII. Quem nunca ri é a mais estúpida das bestas.
XIV. Somente um Deus pode gargalhar diante da tragédia e do horror: Deus ama a verdade.
XV. O feio nunca será belo.
XVI. O feio tem a vantagem da máscara.
XVII. O belo tem a vulnerabilidade da nudez.
XVIII. O único traço de coragem e grandeza que o homem pode ter reside no respeito e na admiração pelos animais.
XIX. Pintura e Poesia são variações de uma mesma senha para a divindade.
XX. A divindade é música.
XXI. A divindade canta.
XXII. Para quem não canta, o apodrecimento.
XXIII. O futuro será possível apenas como Império dos Escombros.
XXIV. Não há salvação fora disso.