Não é o acaso, praga e nem maldição esse esquecimento instantâneo das muitas idéias que povoam a cabeça ritimada no asfalto paulistano; essa verborragia passada de língua em língua e todos os sussurros da nossa cinza coloração; também não são mãos o que dispara o frenesi da nossa atenta desatenção; o riso, talvez, porque há muito eco na escaramuça do seu desespero; mas também não é o riso, e também não são os milhares de fios dos postes e dos cabelos, nem as entranhas da fome, nem o fermento que ruboriza o ébrio, nem a transparência amarela da cerveja. Por alguns instantes, a fumaça do cigarro até confunde porque nos tornamos sombras na nossa despedida, e há sempre um vulto seqüestrado de um semblante que só tornará a cruzar com o nosso através das costas da retina. Há uma rua, ou melhor (e pra rimar), uma avenida onde achados e perdidos cumprimentam-se indiferentes à nossa sensação, não de abandono, mas de quebra-cabeça onde uma matemática impossível subtrai a soma dos dias que ganhamos e dos dias perdidos. No fundo, esse não ter nome é até desimportante se comparado ao nosso ritual de trazer a única consciência que temos na sola dos pés.
sinestesia.
imagens rápidas e intensas, pensei em como gostaria de ver esse texto transformado em um curta.
São Paulo é o estúdio e as pessoas esse caótico cenário. com montagens perdidas e incompletas oscilando por aí. sem história, ou tão cheia delas que acabam ignoradas.
Brunna!
A idéia de um curta é excelente… se eu soubesse manejar uma câmera!!! Talvez seja por isso que escrevo esses textos de imagens refletidas.
um belo curta!
talvez seja por isso que gosto dos seus textos…eles transitam por diferentes tipos de arte. tudo na minha cabeça, por enquanto. huahua
saber que você gosta dos textos é algo que me agrada muito muito! e acho que a sua impressão sobre a miscelânea do meu inconsciente eu não tenho como negar.
es una de las cosas más impactantes que leí últimamente… mucha superposición, mucha imagen…
mucho mucho